Geissy :3
…volto a malhar depois do carnaval.
…fico enrolando e resolvo estudar pra uma prova na noite anterior.
Abertura das Olimpíadas

O maior vilão da noite:

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Quem leu um trecho de Peter Pan:

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Quem carregou a tocha olímpica:

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Harry Potter ainda não é nada pra vocês?

Tinha um cara na faculdade.
Cursava direito. Loiro, alto, olhos verde-provocantes e um perfume de matar. Era um dos únicos caras que eu já vi na vida que conseguia ser pálido sem parecer doente. O cara era bonito mesmo, sendo modesta. O cara era lindo pra caramba. E tinha namorada.
Pra variar, a guria ela tão linda quanto ele; se não mais. O relacionamento dos dois não era nada tão facultativo que conseguisse escapar de um noivado, casamento, filhos e rótulo de família feliz. Era pra dar certo, com toda certeza. Ela cursava moda. Eu sei, direito e moda é uma combinação estranha, mas cada um cuida do nível de “sentido” que seu amor precisa ter e eu não tenho nada a ver com isso. Os dois chegavam todos os dias às 20:40 num Focus preto modelo 2010. Sim, o cara era burguês e a namorada incrível dele também. Atrasando um pouco a história, a beleza da guria era extremamente contraditória à personalidade dela. Era impossível olhar pra ela e não lembrar daquelas vadiazinhas populares que sempre se oferecem pro amor da vida da personagem-principal-sem-sal nesses filmes de colegial. Mas ela, definitivamente, não era esse tipo de guria. O.k., voltemos às 20:40. Descia do carro, abria a porta pra ela e se abraçavam. Saía dali um beijo ou outro, mas o beijo principal era na testa dela. Sempre. Davam as mãos e entravam no prédio de mãos dadas, rindo e batendo papo. Eles eram um casal tão perfeita e romanticamente clichê que meu cérebro era incapaz de processar a informação (e muito menos a cena) de que eles tinham relações sexuais. Até porque, hoje em dia, o sexo é algo sujo. E não dava pra imaginar os dois sendo sujos. O que eu sei é que, com ou sem sexo, eles se amavam pra caramba. Aconteceu que um dia o cara dos sonhos de qualquer garota, namorado da garota dos sonhos de qualquer cara, chegou atrasado, sozinho e com os olhos verdes mais sofridos que eu já vi na vida. A cada cinco segundos eu decidia cutucá-lo as costas e perguntar o que caralhos tinha acontecido, mas eu não era corajosa o suficiente. O que eu não podia era deixar pra lá. Não era só curiosidade. Desde o primeiro ano de faculdade eu observo o cara e morro de inveja da namorada incrível dele. Não por ela ser extremamente incrível, mas porque ele era dela. Eles juntos eram melhor que Superman e Mulher Maravilha, se quer saber. E eu era tipo a donzela em perigo querendo ser o terceiro lado do triângulo amoroso que não existia ali. Eram eles dois desde sempre e pra sempre, e eu já tinha até me acostumado àquilo, se quer saber. Mas deu, cheguei no limite. Que droga ela tinha feito com o meu cara? Eu dei ele de presente pra ela. Mesmo sabendo que ele nunca trocaria ela por mim, eu deixei ela ficar com ele. Eu deixei. Mesmo que ele nem desconfiasse que era o meu cara. E agora ela, não sei como, tinha conseguido estragar o olhar dele, despentear o cabelo dele e fazê-lo esquecer a caneta que ele nunca esquecia. Numa inveja particular por saber que eu nunca conseguiria destruir o álibi de perfeição dele como ela fez camuflada de raiva por ela ter feito aquilo com ele, resolvi que seria legal da minha parte oferecer uma caneta. Tomei todo o cuidado do mundo pra escolher a caneta azul de ponta fina, como ele gostava. Com o pulso tremendo como se a caneta pesasse toneladas, cutuquei o ombro alto dele e me concentrei em sorrir e em vez de parecer uma retardada, passar a impressão de simpatia. Acho que deu certo. Ele me olhou com aqueles olhos e, por incrível que pareça, sorriu. Deu pra sentir que foi um sorriso difícil. Deu pra sentir os cantos da boca dele se contraindo pra ter força o suficiente pra puxar aquele sorriso.
Eu sei que foi burrice. Não, foi bem pior que isso. Foi como zerar o vestibular do bom-senso. É uma comparação super-hiper-idiota, mas foi bem assim. Perguntei num ridículo de curiosidade “O que foi que aconteceu? Tu chegou sozinho hoje, achei estranho.” Ele se virou e me disse que não era “nada demais”. Nada demais? Quem é você pra achar que eu sou idiota o suficiente pra, depois de ver teus olhos murchos, cabelo despenteado e álibi completamente despedaçado, acreditar que não foi “nada demais”? Deu uma vontade enorme de mandar se ferrar. Quem aquele cara acha que é? E quem ele pensa que eu sou? “Nada demais” é coisa pra caramba pelo jeito. Eu, em todo meu ego minúsculo e heterotrófico procurando um parasita, resolvi insistir. Perguntei da família, da doença da mãe e até do irmão que eu nem sabia que existia, mas tava muito difícil quebrar a barreira de preservação dele e eu tive que apelar pro recurso emergencial em caso de vida ou morte. “E a tua guria? Tu sabe; o amor da tua vida. Tua princesa, tua miss sei lá o quê. Onde é que tá ela?” Sei lá, eu só senti como se tivesse conseguido quebrar aquela barreira com um sopro. Ele desviou o olhar, tremeu um pouco, e disse, sem conseguir controlar a gagueira pelo nervosismo, que ela não era mais o amor da vida dele. Mas como assim, cara? Que é que tu tá me dizendo? Eu sabia/sei/sempre vou saber que a morena alta dos olhos verdes era/é/sempre vai ser o amor da vida dele. Mas eu, num inevitável ataque de egopaixonitecentrismo, pensei que talvez pudesse ser a água pra ele tirar o gosto ruim do remédio da boca. Como todo remédio que se preze (ainda mais ela, que sempre foi das melhores), é óbvio e claro que ainda ia deixar um gosto de lembrança no fundo da garganta, mas nada que a gente não pudesse camuflar com o tempo. “Mas acabou por quê? Ela não queria filhos, não gostava do mesmo sexo que você ou não gostava da tua playlist?” Ele praticamente vomitou os fatos: o par perfeito, alma gêmea, amor pra vida toda e coisa mais importante da vida dele tinha simplesmente ido morar na clichê Flórida com um ex-colega de trabalho dele. Clássico, não? Agora mudando o foco das perguntas de “quem você pensa que é” copiadas das novelas das oito, quem ela pensa que é pra trocar o meu cara sem mais nem menos e fugir dele como se não importasse? Eu a xingaria de vadia, puta, descarada e coisas piores se não tivesse a maior certeza do mundo de que ela não passava de uma confusa apaixonada. Eu sei, nunca troquei uma palavra com ela, mas a gente acaba descobrindo a verdade sobre as pessoas se só leva em conta as ações delas e não o que elas dizem. Mas enfim porém entretanto contudo, eu não podia de forma alguma deixar que ele descobrisse a inocência dela. Era algo extremamente psicopata, mas era o meu amor psicopata gritando mais alto que meu senso racional de deixá-lo esperando por ela mesmo que ela não fosse voltar. Tudo o que consegui fazer foi resmungar um “ahn” desconcertado e tímido. Se ele não estivesse me encarando tão concentradamente, eu certamente conseguiria mais que isso, mas não era o caso. Eu realmente comecei a tremer. A conversa já tinha terminado a uns vinte segundos e ele continuava me encarando. Vinte segundos de olhos grudados é tempo pra caramba se tu for levar em consideração que eram os olhos do cara dos meus sonhos amor da minha vida que eu espero há três anos. Resolvi então que não era pecado algum tentar uma aproximação com segundas intenções. Achei que merecia isso depois de três anos conhecendo o cara sem ao menos ter falado com ele. Ofereci uma companhia pro lanche de todo dia que ele fazia depois da aula às onze e meu mp3. E se ele gostasse da minha playlist? Sobre o sexo, livros e temperos a gente poderia descobrir depois.
Ana Luísa K.  (via poeta-reprimida)